segunda-feira, 14 de março de 2011

O tema "Marinha"





Marinha 38x46 cm


Durante todos esses anos na minha experiência como pintor e professor de pintura, tenho me deparado com um grande erro cometido por algumas pessoas e até mesmo por algumas revistas especializadas em pintura.
Qual é o erro? É a infelicidade em trocar o nome de um tema antigo de pintura, que retrata o mar e temas marinhos. O tema é Marinha, a palavra errada utilizada é Marina
Marina é o lugar onde se guarda os barcos ou a mulher da novela, menos um tema de pintura que retrata o mar.

Leia abaixo um texto sobre o tema, a fonte que vocês podem conferir é Enciclopédia Itaú Cultural.




Marinha   

Definição
Chama-se marinha a pintura que tem especificamente por tema a paisagem marítima ou assuntos marinhos. Enquanto pintura de gênero é compreendida como um subgênero dapintura de paisagem, acompanhando seu desenvolvimento histórico. As marinhas aparecem pela primeira vez no século XVI nos Países Baixos e se desenvolvem no século XVII e XVIII, com a crescente especialização de alguns artistas em pinturas com temas específicos. Na Holanda, no século XVII, pintores como Simon de Vlieger (1601 - 1653) e Jan van Goyen (1596 - 1656) elevam a pintura de marinhas a um tal grau de virtuosismo na representação fiel e minuciosa de cenas marítimas que ainda hoje seus quadros são vistos como valiosos documentos históricos do período de expansão naval da Inglaterra e da Holanda. Esses artistas em sua visão simples e direta da paisagem são os primeiros a descobrir a beleza de cenas não-dramáticas. Especializam-se na reprodução da atmosfera do mar e do céu, em geral repleto de nuvens e de horizonte baixo, e pintam com o mesmo entusiasmo o movimento de um moinho à beira-mar numa calma alvorada quanto uma batalha naval. Na França, Claude-Joseph Vernet (1714 - 1789) é um dos primeiros pintores a se dedicar à pintura de paisagens cujo objeto central é o mar. Conhecido por suas pinturas de praias e portos, ele é contratado por Luís XV em 1753 para pintar uma série de 16 vistas de portos franceses que hoje podem ser encontradas no Museu do Louvre, em Paris.
No início do século XIX, impulsionada por um espírito romântico, a pintura de paisagem conhece uma popularidade ímpar em sua história. Grandes artistas do período como Joseph Mallord William Turner (1775 - 1851) e John Constable (1776 - 1837) dão nova dignidade a esse tipo de obra. Turner, que no início de sua carreira revela a influência da pintura marítima holandesa do século XVII em quadros como Pescadores no Mar (1796), logo ultrapassa as primeiras lições sobre o fenômeno da luz e dos efeitos atmosféricos e elege temas dramáticos, no sentido do movimento, que inauguram uma nova abordagem na pintura de paisagem. Em quadros como Naufrágio (1805) e Vapor numa Tempestade de Neve (1842), a recriação pictórica da luz e sua atmosfera é utilizada para transmitir a idéia de uma natureza sublime em constante turbilhonamento. Na Alemanha, o grande pintor romântico Caspar David Friedrich (1774 - 1840) também pinta grandes extensões de mar envoltas por uma estranha luz, atribuindo à paisagem marítima um profundo sentido espiritual.
Na França, os artistas reunidos no grupo conhecido como Escola de Barbizon procuram levar adiante as pesquisas de cunho mais realista dos holandeses e do inglês Constable na pintura de paisagem. Com o impressionismo, na segunda metade do século XIX, o tema marítimo volta a ter importância central, principalmente na produção de Claude Monet (1840 - 1926) que reconhece nas vistas marinhas uma oportunidade exemplar de trabalhar os efeitos de luz e sua diversidade de cores. É exatamente de um quadro que procura captar os efeitos da luz ao do nascer do sol à beira mar que o impressionismo ganha seu nome: a tela Impressão: Sol Nascente (1872) de Monet.
No Brasil, os pintores holandeses que aqui aportaram no século XVII, como Frans Post (1612 - 1680), não deram muita importância à pintura de marinhas. No século XIX, alguns pintores viajantes como Thomas Ender (1793 - 1875) e Rugendas (1802 - 1858) pintam com freqüência vistas de cidades brasileiras litorâneas. O francês Nicolas Taunay (1755 - 1830), professor de paisagem da Missão Artística Francesa, também realiza vistas marítimas do Rio de Janeiro no início do século XIX, mas sem chegar a se destacar nessa área. É somente no final do século que surge um pintor dedicado quase exclusivamente à pintura de marinhas no Brasil: o italiano residente no Rio de Janeiro Castagneto (1851 - 1900). Suas pinturas destacam-se pelo viés romântico de seu estilo, que tempera a representação da realidade com uma visão bem pessoal. As melhores marinhas do artista apresentam um certo monocromatismo em que céu e mar quase se confundem numa atmosfera em geral esbranquiçada ou de tons azulados, em que as diferenças entre água, ondas, céu e nuvem são realizadas por leves pinceladas. Outro importante pintor do litoral brasileiro é Benedito Calixto (1853 - 1927). Natural do litoral paulista, Calixto dedicou parte de sua produção a pintar vistas das praias e do porto de Santos. Apesar de sua popularidade, sua pintura, presa demais a concepção de imitação fiel, quase científica, da natureza, não atinge o valor artístico de Castagneto, apesar de apresentar um importante conjunto documental da iconografia paulista. Já no registro da arte moderna, o marinheiro e pintor José Pancetti (1902 - 1958) dedica grande parte de sua produção ao registro de temas ou cenas marítimas. Suas paisagens marinhas, caracterizadas pela simplificação formal, por enquadramentos inusuais e fortes contrastes de cor, são responsáveis pela sobrevida do gênero na história da arte brasileira.




Um comentário:

  1. vc nos esclarece sobre assuntos que temos preguiça de pesquisar com isto deixando mais fácil.Esta ideia foi muito boa,cada vez mais me apaixono sobre esta arte.obrigada.

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